Episódios de poeira do Saara: como podem reduzir em até 50% a energia solar fotovoltaica no Mediterrâneo

A energia solar fotovoltaica é fundamental para a transição energética na Europa. No entanto, enfrenta desafios importantes. Um dos mais relevantes na região do Mediterrâneo é o impacto da poeira do Saara, um fenômeno que pode reduzir a geração de eletricidade solar em até 50% durante episódios extremos.

Um estudo recente do Centro HUN-REN de Astronomia e Ciências da Terra (Hungria) analisou o efeito desses episódios entre 2019 e 2023, revelando perdas significativas em países como Espanha, Portugal, Itália, Grécia e França.

Por que a poeira do Saara afeta os painéis solares?

Quando as partículas de poeira se acumulam na atmosfera ou sobre a superfície dos módulos, a irradiação solar que chega aos painéis diminui de forma significativa. Esse efeito reduz a eficiência de conversão dos sistemas fotovoltaicos e provoca quedas pontuais na geração de energia.

Além disso, a poeira pode interagir com a nebulosidade e a radiação solar, o que complica ainda mais as previsões de produção e aumenta a incerteza na operação das usinas fotovoltaicas.

Poeira saariana e calima são a mesma coisa?

Sim, são a mesma coisa; a calima é o fenómeno meteorológico que ocorre quando o pó e a areia do Deserto do Saara são transportados pelos ventos, gerando uma massa de ar com partículas em suspensão que reduzem a visibilidade e conferem ao céu uma tonalidade alaranjada. Portanto, a poeira saariana é o material que causa a calima.

Impacto na produção fotovoltaica por país

O estudo revela diferenças entre os países mediterrâneos quanto à magnitude da perda de energia solar:

  • Grécia: entre 20,1% e 40,9%

  • França: entre 4,4% e 40,5%

  • Itália: entre 13,9% e 36,8%

  • Portugal: entre 10,1% e 29,3%

  • Espanha: entre 16,3% e 19,8%

Em casos extremos, as quedas na produção fotovoltaica podem chegar a 50%.

Desafios nas previsões solares

O relatório destaca que as previsões atuais de geração fotovoltaica:

  • Subestimam o impacto dos episódios de poeira na Espanha e em Portugal.

  • Superestimam as perdas na Itália e na Grécia.

Isso demonstra a necessidade de modelos mais precisos que considerem variáveis como a concentração de aerossóis, a cobertura de nuvens e a temperatura das nuvens altas.

Soluções e estratégias para mitigar o impacto

Para reduzir as perdas de produção solar durante os episódios de poeira do Saara, os especialistas recomendam:

  • Monitoramento em tempo real da qualidade do ar e da concentração de poeira.

  • Otimização da limpeza dos painéis solares, especialmente em grandes usinas fotovoltaicas.

  • Modelos climáticos avançados que permitam prever com maior precisão a interação entre poeira, nuvens e radiação.

A poeira do Saara representa um desafio crescente para a energia solar no Mediterrâneo. Com as mudanças climáticas, prevê-se que esses episódios se tornem cada vez mais frequentes e intensos. Descubra aqui quais os meses que têm mais nevoeiro.

A pesquisa científica e a implementação de soluções de previsão e mitigação serão essenciais para garantir que a energia fotovoltaica mantenha seu papel central no caminho para uma Europa descarbonizada.

Fonte de informação PV Magazine